
« Tu sabes daquela minha certa dificuldade em iniciar textos… Então, acho que não preciso desculpar-me por outro começo completamente ridículo. Eu queria ser capaz de inventar palavras novas, porque parece que já fiz uso de todas elas, para descrever tudo que acontece entre nós dois. Se bem que ultimamente, acredito que até mesmo o silêncio faça mais sentido do que as palavras, e é isso que dói. Pensar que não existe mais nada concreto entre nós dois. Só vazio. Só silêncio. Às vezes eu penso que tu deves me odiar por não te deixar em paz… Por ser tão insistente em relação a nós dois. Bom, eu odeio-me por isso. No fundo, eu queria não me importar. Queria não gastar parte do meu tempo pensando em como tu estás, ou com quem tu possas estar. Queria não passar parte do meu tempo desejando-te, precisando de ti.
Eu, sinceramente, não sei porque estou escrevendo isso. Queres ouvir algo engraçado e deprimente? Desde aquele dia … Tenho te escrito cartas imaginárias. Umas são cheias de ódio e de palavrões (que eu infelizmente, passei a falar demais desde a nossa última discussão) Mas a maioria delas, se resumem a dizer como é inútil tentar te esquecer. Como é inútil tentar me enganar fingindo que não me importo. Que não preciso de ti aqui. Que não gostaria de voltar no tempo e mudar os factos, para que sei lá, eu não tivesse que estar escrevendo isso hoje. Eu sei que tudo que falei, era a mais pura verdade. Não havia como distorcer, e sei que tu sabes disso também. Mas eu devia ter dito de outra forma.
Eu devia ter te lembrando que tu eras cada vez mais importante na minha vida. Eu devia ter dito que independente das respostas, das verdades, das mentiras, meu amor ainda continuava (continua) ali, intacto, completamente teu. Só teu. Eu devia ter dito que estar do teu lado, era a única coisa que realmente importava. Eu não disse. Achei que tu soubesses, que fosses entender meus motivos. Meus medos. Acho que não entendeste. Mas ao mesmo tempo que acho tudo isso, também acho que não fiz nada de errado. Acho que o errado fui eu… E que o certo, agora, seria fazer aquilo mesmo que tu mandaste. Eu não fui. Eu não consigo ir. Não consigo me desprender de ti, das tuas palavras, de nós.
Não sou capaz de preencher essa ausência que tu me causas, entendes? Eu já tentei. Já tentei dormir o dia todo, mas eu sempre precisava acordar uma hora… Já tentei me enganar, mas no meio da mentira, sempre surgia aquela voz na minha cabeça, gritando: Não sejas tola, pequena. Quanto mais tu tentas fingir que não gostas dele, mais desesperada tu ficas. Quando eu disse que não tinha mais orgulho, nem amor próprio, eu estava falando sério. Eu não me importo de me humilhar, nem de ficar aqui, tentando… Leve o tempo que levar. Enquanto tu fores importante, lutar por ti também será.
Tem algo dentro de mim que não me deixa seguir em frente. Tem algo dentro de mim que insiste em dizer que isso não acabou, e que nem vai acabar… Algo que por mais ferido que esteja, também sente tua falta. Sabes aquela frase irônica, que diz que a única pessoa que é capaz de curar uma dor, é aquela mesma que a causou? Então, és tu. És tu quem precisa de me curar. Quem precisar fazer com que isso pare de doer. És tu que precisa de me ajudar, tentar fazer as coisas funcionarem. Eu não quero fazer isso sozinha. Eu não quero descobrir que para mim continua sendo tu, enquanto que para ti, já são outras.
Eu vivo dizendo que cansei… E sim, eu cansei. Mas tu te cansaste também, eu sei. Eu sei que no final das contas, houveram mais brigas e dores do que sorrisos e momentos felizes. Mas… Nós dois sempre demos um jeito. Sempre estivemos ali, ajudando um ao outro, fazendo com que as coisas se tornassem possíveis, mesmo quando todos as julgavam impossíveis. Nós sempre insistimos um no outro, e foi por isso que superamos tudo. Eu não quero que o teu nome fique marcado em mim somente como uma cicatriz, que continua sangrando. Eu quero que teu nome fique gravado em mim, fazendo-me sentir coisas boas. Fazendo com que eu me sinta bem, viva. Como tu me fazias sentir.
Eu disse que estaria sempre aqui, esperando por ti… Disposta a fazer de tudo para transformar os momentos ruins em momentos bons. Disposta a fazer de tudo para te fazer feliz. Agora, caso eu não seja mais capaz disso, eu entendo. Caso tu penses em ligar para outra de madrugada, para dizer que a amas, e não para mim, eu vou aguentar. Caso tu desejes outra no espaço vazio da tua cama, ou até mesmo para apelidar de sua pequena, eu vou suportar. Eu não vou esquecer, nem superar… Mas eu vou entender. Afinal, o amor também tem prazo de validade, eu sei. Eu não posso exigir que tu gostes de mim ou que fiques comigo. Mas eu gosto de ti…
Desculpa se fazendo isso, eu só pioro tudo. Desculpa se não te deixo ir, eu só complico ainda mais. Só desculpa. Por eu gostar demais de ti, por precisar demais de ti. Desculpa se não te deixo seguir em frente, ou se te faço sofrer. Desculpa se meu amor é grande e não se contenta em ficar escondido, trancado dentro de mim. Desculpa se preciso expor, sufocar… Desculpa se nem mesmo o teu silêncio é capaz de me fazer parar. Se não houver mais volta, jeito, remédio, cura… Eu não sei então o que fazer. Aceitar? Não posso… Se pudesse, recusaria. Minha insanidade é a favor de nós dois, e todo o resto de mim também. Eu não sei mais o que fazer. Não sei mais o que dizer. Talvez, o silêncio seja mesmo a única coisa que reste agora. Eu sei que acabou, mas não quero.»
o texto e a música estão muito adequandos :)
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